PROJETO / 001

GTR-01

Uma guitarra em constante reconstrução. Um projeto que começou muito antes de existir um lugar para documentá-lo.
STATUS
● EM DESENVOLVIMENTO
INÍCIO
DÉCADA DE 2010
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO
2026
Guitarra GTR-01 montada e pendurada na parede, com molduras de bambu nos captadores

Um instrumento que nunca ficou realmente pronto (e que nunca vai ficar)

Esta guitarra faz parte da minha história há vários anos. Antes de virar um projeto documentado, ela já havia passado por uso, desmontagens, modificações, venda, presenteamento e longos períodos esperando a próxima ideia.

Em 2026 decidi retomar o instrumento com outra abordagem: documentar. Eu já vinha fazendo modificações havia muito tempo; agora, além de continuar experimentando com ele, quero registrar o processo.

Desde então, elétrica, captadores, ferragens, acabamento e até a possibilidade de eletrônica ativa passaram a fazer parte do projeto.

Esta página não representa uma guitarra terminada. Ela é o registro do que aconteceu com ela — inclusive das ideias que não deram certo.

A transformação

DÉCADA DE 2010

O começo

Desde criança eu me interessava por tocar um instrumento musical, principalmente por influência da minha irmã e do violão dela. Queria porque queria uma guitarra, até que, de tanto insistir, meu pai me deu uma.

Na época ele pagou cerca de R$ 400 nela em uma loja de Barretos que hoje nem existe mais, a Frujelle Musical.

Não era das melhores guitarras, e tanto eu quanto ele sabíamos disso. O som não me agradava: eu o achava frio e magro. Minha diversão era ligar a guitarra na entrada de microfone do aparelho de som de casa e aumentar o volume para ouvi-lo distorcendo — até o dia em que consegui queimar a entrada do aparelho.

Meu pai também me lançou um desafio: eu deveria aprender a tocar O Milionário, d'Os Incríveis. É um desafio que ainda não consegui cumprir, mesmo depois de quase 15 anos.

A guitarra no começo da história, ainda na década de 2010.

O que eu tocava

Conforme fui crescendo, acabei optando por tocar baixo. Na época eu via a base da música como um caminho mais fácil para começar — uma ideia bastante comum entre muitos músicos que acabaram se tornando baixistas.

Na guitarra eu também tocava principalmente bases. Raramente arriscava riffs, embora alguns clássicos aparecessem: Sweet Child O' Mine, Smoke on the Water, Highway to Hell, Back in Black, Toxicity, além de alguns solos como So Far Away, do Avenged Sevenfold, e o primeiro solo de Knockin' on Heaven's Door, do Guns N' Roses.

Nunca fui guitarrista de banda; fui baixista. A guitarra ficou como hobby.

Ganhei do meu tio uma pedaleira Zoom G1XNext, mas eu não tinha muita paciência para efeitos. O wah-wah parecia estranho, eu sentia falta de uma alavanca e, principalmente, faltava habilidade para entender o que eu estava fazendo.

Um amigo meu, o Cristian, pegava a guitarra e conseguia tirar um som bom. Quando eu tocava, saía um som que me desagradava.

Resumindo: eu não sabia regular ou equalizar direito e nunca estava satisfeito com o que já tinha. Isso me frustrou por anos.

ANTES DA PANDEMIA

O fim do início

Quando eu tinha acabado de fazer 19 anos, fui morar sozinho e levei meus instrumentos comigo. Minha vida passou a ser trabalhar, fazer faculdade e sobreviver.

Algum tempo depois, pouco antes da pandemia, eu havia me mudado para um condomínio onde o aluguel já incluía água, luz, internet e mobília. As kitnets eram pequenas e espaço era um problema.

Foi lá que conheci Marcos, meu vizinho. Ele gostava de música como eu. Havia sido vocalista de uma banda na juventude e, naquele momento, estava se desafiando nos instrumentos de corda. Foi quando perguntou se eu queria vender a guitarra e a pedaleira.

Depois de negociarmos, a guitarra passou a ser dele.

O instrumento durante uma das fases anteriores à venda.

Essa escolha acabou dando um novo significado à existência do instrumento. Foi o Marcos quem começou a dar outra personalidade à guitarra: colou adesivos, colocou cordas de calibre maior e expandiu o repertório que passava por ela.

Com Marcos, a guitarra ganhou outras marcas, cordas e repertório.

O acidente

Alguns dias depois de perceber que não via Marcos pelo condomínio, descobri que ele havia sofrido um grave acidente de moto. A recuperação seria longa e ele precisou voltar a morar com a família.

Nesse período decidiu vender a guitarra e a pedaleira. Assim que vi o anúncio da guitarra no Facebook, não pensei duas vezes. Consegui comprá-la de volta, embora a pedaleira já tivesse sido vendida.

Depois, emprestei a guitarra para que ele pudesse continuar praticando durante a recuperação.

A guitarra voltou temporariamente para que Marcos continuasse praticando.

Com o tempo, Marcos se recuperou, comprou a guitarra de volta e continuou tocando e experimentando com o instrumento. Trocou adesivos, fez novos ajustes e chegou a fazer uma blindagem utilizando manta asfáltica.

Juntos também fomos tocar na pista de skate e no lago da cidade e chegamos a formar uma banda — mas essa é história para outro dia.

Uma das ocasiões em que eu e Marcos nos reunimos para tocar em banda.
O PRESENTE

A guitarra volta para casa

Antes de eu me mudar do condomínio, Marcos me deu a guitarra de presente para que eu a levasse comigo.

Relembrei as vezes em que consertamos o instrumento, trocamos cordas e improvisamos soluções — inclusive quando o jack plate quebrou e eu coloquei no lugar uma tampa de margarina cortada.

Decidi não parar por ali.

O jack plate improvisado com uma tampa de margarina.

Certo dia desmontei a guitarra inteira. Coloquei as peças metálicas em álcool isopropílico para limpeza, substituí a blindagem anterior por alumínio adesivo, lixei, poli e remontei o instrumento.

O corpo desmontado antes da limpeza e da remontagem.
Blindagem, limpeza das ferragens e remontagem das tarraxas.

Em outro momento decidi trocar o humbucker da ponte por um captador barato que encontrei para comprar. Só depois percebi que havia comprado um captador destinado à posição do braço de uma Stratocaster.

Não tem problema. Isso também passou a fazer parte do som peculiar do instrumento.

O captador comprado para a posição errada entrou na história do instrumento.

Depois substituí aquele jack plate improvisado de tampa de margarina por um jack plate de bambu que eu mesmo fiz.

A abertura antes da instalação da nova peça.
O jack plate de bambu feito à mão.

Troquei também a ponte original, que desalinhava as cordas e fazia o mizão ficar para fora da posição correta, por uma ponte curta de Telecaster. Com ela consegui corrigir o alinhamento.

A configuração anterior, ainda com o problema de alinhamento.
A ponte curta de Telecaster corrigiu o alinhamento das cordas.

O single coil original do braço foi substituído por um mini humbucker.

O mini humbucker já instalado na posição do braço.

Mais tarde troquei os potenciômetros por equivalentes da marca Alpha. Atualmente estou trabalhando também em molduras de bambu para os captadores. Antes da fabricação definitiva, fiz moldes de papelão para testar dimensões e encaixe.

Moldes de papelão usados para testar dimensões e encaixe das futuras molduras.
META ATIVA

Molduras de bambu

A ideia de trabalhar com bambu surgiu ainda durante a confecção do jack plate, mas eu não sabia ao certo como executar peças mais elaboradas tendo à disposição basicamente um pedaço grande de bambu, serrote e lixa.

A sugestão do método de fabricação das molduras surgiu durante uma conversa com IA.

A proposta é formar cada moldura com duas peças de bambu sobrepostas e coladas entre si, com as fibras orientadas aproximadamente a 90°, aumentando a resistência do conjunto. As quatro peças foram cortadas individualmente: duas formarão a moldura do captador do braço e duas formarão a moldura do humbucker da ponte.

Estudo das geometrias usadas no corte das peças que formarão as molduras de bambu.
Quatro peças de bambu cortadas a laser. Cada moldura final será formada pela colagem de duas peças sobrepostas, resultando em duas molduras: uma para o captador do braço e outra para o captador da ponte.

Depois do corte, as peças passaram por experimentação e ajustes, e uma moldura foi instalada em cada captador. A fotografia atual da guitarra, usada como capa desta página, registra esse estágio avançado — não o encerramento da transformação.

A meta continua ativa: ainda é necessário finalizar a colagem e o acabamento das peças de bambu, resolver a fixação por parafusos, corrigir e acabar o buraco que permaneceu no corpo e realizar os acabamentos finais. As soluções para essas etapas ainda não estão definidas.

PRÓXIMOS PASSOS

O que o futuro trará

O projeto continua aberto.

Ainda pretendo desenvolver knobs, outros detalhes mecânicos e estéticos e explorar a possibilidade de eletrônica ativa.

Entre as ideias está incorporar circuitos com JFET, experimentando uma eletrônica ativa capaz de acrescentar brilho e definição ao instrumento. Neste momento, isso ainda é uma possibilidade a ser desenvolvida e testada.

Configuração atual

Captador do braço
Mini humbucker / dual rail
Captador da ponte
Humbucker
Potenciômetros
500 kΩ
Tone
3,3 nF
Controles
Volumes independentes
Pré-amplificador
Em desenvolvimento
[ PROJETO ABERTO ]

Esta página continuará mudando junto com a guitarra.