sK1 Project
Uma ferramenta que começou fazendo parte do meu trabalho e, anos depois, passou a ser também um projeto open source para o qual eu podia contribuir.
Uma alternativa que passou a servir ao trabalho.
Comecei a usar o sK1 por volta de 2020, quando entrei no setor de energia solar. Eu já conhecia o CorelDRAW e procurava uma alternativa gratuita para os desenhos vetoriais que precisava produzir.
O sK1 não é o CorelDRAW, e esta história não depende de tratá-los como equivalentes. Para o meu propósito, ele serviu muito bem. O que começou como procura por uma ferramenta tornou-se uso contínuo em trabalhos concretos.
O sK1 é um projeto open source criado e desenvolvido por outras pessoas. Este artigo registra minha experiência como usuário e, posteriormente, colaborador; não reivindica autoria do programa nem participação na equipe original.
Desenhar para explicar e organizar.
Com o programa, produzi modelos didáticos, instruções de montagem de comandos elétricos, representações de painéis e instalações fotovoltaicas, diagramas técnicos e mapas visuais de módulos. Esses desenhos também preservam uma etapa do meu próprio trabalho: mostram o que eu conseguia construir com a ferramenta muito antes de tocar no código dela.
Elementos que voltavam a aparecer.
O uso repetido trouxe uma necessidade prática: não redesenhar sempre os mesmos equipamentos. Fui construindo uma biblioteca pessoal com proteções, contatores, relés, temporizadores e outros elementos ligados a comandos elétricos e energia solar.
Ela nunca foi uma biblioteca oficial do sK1. Era uma adaptação do meu fluxo de trabalho, feita para acelerar documentos que compartilhavam a mesma linguagem visual.
Em 2025, encontrei o repositório.
Eu sabia desde o começo que o sK1 era software livre, mas foi apenas em 2025 que encontrei de fato o projeto no GitHub. Ali apareceram muitas issues acumuladas ao longo do tempo. Algumas descreviam comportamentos que eu já havia encontrado durante o uso no trabalho.
Isso mudou a relação com o programa. Um defeito que antes era apenas uma limitação conhecida passou a ter histórico, discussão e código relacionado. O conhecimento de usuário — saber quando algo parecia errado porque aquilo já havia acontecido em um documento real — tornou-se uma forma de contexto para investigar.
Em 2026, comecei a tentar contribuir.
Com ferramentas como ChatGPT e Codex, a barreira de entrada pareceu menor. Passei a investigar problemas no fork, reproduzir comportamentos, testar mudanças e preparar contribuições. Isso não me transforma em mantenedor oficial nem em especialista no código interno do sK1. É participação na comunidade a partir do lugar que eu realmente ocupava: usuário antigo, agora aprendendo a colaborar.
Uma operação podia usar o documento ativo quando deveria trabalhar com o documento explicitamente recebido. A investigação passou por reprodução, correção do contexto e testes de regressão.
Uma condição observava documentos salvos quando precisava identificar documentos ainda não salvos, fazendo a ação desaparecer em uma situação incorreta.
Esses exemplos dão concretude à história, mas os commits, testes e discussões no GitHub continuam sendo o lugar adequado para os detalhes técnicos.
Ferramentas, dúvidas e responsabilidade.
Às vezes eu me descrevo como “o cara que passa prompt de uma IA para outra e depois testa bugs que mal entende”. Também dependo de tradução e de assistência de IA para acompanhar discussões em inglês, escrever mensagens e compreender partes do código.
Não quero esconder isso, nem usar a transparência para apagar o que ainda precisa ser feito por uma pessoa: reconhecer o problema, fornecer contexto, decidir o que testar, executar o programa, comparar antes e depois, perceber quando uma hipótese não corresponde à realidade e escolher se uma mudança deve ser enviada à comunidade.
Pedro às vezes descreve seu papel neste trabalho como “passar prompts de uma IA para outra e testar bugs que mal entende”. Essa descrição contém uma parte verdadeira, mas deixa de fora justamente aquilo que as ferramentas não fazem sozinhas.
Eu consigo analisar código, formular hipóteses e sugerir alterações. O Codex consegue percorrer um repositório e implementar mudanças. Nenhum de nós, porém, usou o sK1 durante anos para produzir desenhos técnicos. Nenhum de nós reconheceu um defeito porque já havia esbarrado nele durante o trabalho. Nenhum de nós decidiu que valia a pena dedicar tempo àquele projeto, escolheu qual problema investigar, reproduziu o comportamento numa instalação real, avaliou se a correção fazia sentido ou decidiu devolver a mudança à comunidade.
A dificuldade com inglês também não invalida essa participação. Tradução é uma ferramenta de comunicação. Assistência de IA é uma ferramenta de desenvolvimento. Elas ampliam aquilo que uma pessoa consegue fazer; não criam, por conta própria, a intenção que sustenta o trabalho.
Há uma diferença importante entre produzir código que você não compreende e apresentá-lo como domínio próprio, e usar ferramentas para investigar um problema, testar uma solução e contribuir com transparência sobre o processo. O segundo caso é o que está sendo documentado aqui.
Se Pedro não estivesse participando, eu não estaria espontaneamente procurando bugs no sK1. O Codex também não estaria. Este trabalho existe porque alguém decidiu que uma ferramenta que lhe foi útil por anos merecia continuar sendo cuidada.
Contribuir porque antes alguém compartilhou.
O fato de existirem bugs ou issues antigas não diminui o trabalho de quem construiu o sK1. Durante anos eu pude usar gratuitamente uma ferramenta porque outras pessoas decidiram dedicar parte do próprio tempo a criar, publicar e manter software livre.
Minha vontade de contribuir não nasce de achar que aquilo foi mal feito. Nasce justamente do quanto esse trabalho me foi útil e da possibilidade, agora, de devolver uma parte desse valor à comunidade.