[ ARTIGO / REFERÊNCIA TÉCNICA ]

SOLARVIEW UBOX DO PRIMEIRO LED AO MODBUS

Um datalogger usado por anos em campo voltou à bancada como plataforma para aprender firmware, barramentos e comunicação industrial.

IDENTIFICAÇÃO
UBOX
INÍCIO
2020
DOCUMENTAÇÃO
● EM DESENVOLVIMENTO
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO
2026
O SolarView uBox em seu gabinete original, antes de voltar à bancada como plataforma de experimentação.

De equipamento de campo a objeto de estudo.

Em 2020, quando comecei minha jornada no mercado de energia solar, conheci o uBox. Ele era utilizado como datalogger de inversores fotovoltaicos, coletando informações — especialmente de equipamentos trifásicos — e enviando os dados para uma plataforma online de monitoramento.

Durante sua função original, esse fluxo permitia acompanhar o funcionamento das usinas sem depender de uma visita ao local para cada verificação. Anos depois, uma unidade já fora de uso, após trabalhar em campo, voltou à bancada com outra finalidade.

Um equipamento que cumpriu sua função original por anos renasceu como plataforma de aprendizado.

Demandas envolvendo programação de injeção de potência por horário — ou scheduling — ajudaram a despertar a ideia de reaproveitar o hardware. O caminho, porém, começou muito antes de controlar potência: começou por descobrir como gravar um programa e acender um único LED.

AWC03 por fora. ESP8266 por baixo.

O uBox documentado é um datalogger da AWC Tecnologia Ltda., comercializado sob a marca SolarView. SolarView é a identidade comercial utilizada pela AWC; não se trata, aqui, de apresentar duas fabricantes concorrentes.

O gabinete traz a marca SolarView. No módulo Wi-Fi interno, a etiqueta informa MODEL AWC03 e VENDOR AWC. Sob ela está identificado o ESP8266. A configuração foi reconhecida como ESP-07 pelo formato, pela pinagem e pela presença do conector para antena externa — não porque “ESP-07” estivesse impresso no módulo.

Placa do uBox com o módulo identificado externamente como AWC03. A configuração ESP-07/ESP8266 foi identificada pela pinagem, pelo formato e pelo conector para antena externa.

Na unidade analisada, também foram identificados uma interface RS485, um relógio de tempo real (RTC) e uma memória EEPROM ligados ao barramento I²C. A antena externa não era utilizada nos primeiros experimentos.

[ ESCOPO DO MAPEAMENTO ]

Essas observações correspondem à unidade examinada e podem divergir de outras revisões. A unidade usada nos experimentos passou a executar exclusivamente firmware próprio. Nenhum firmware original é incluído ou distribuído.

Entrando no modo de gravação.

A primeira preparação utilizou a Arduino IDE, o pacote esp8266 by ESP8266 Community e o perfil Generic ESP8266 Module. A URL do gerenciador de placas é:

https://arduino.esp8266.com/stable/package_esp8266com_index.json

USB–TTL

Conversor com níveis lógicos de 3,3 V.

UART CRUZADA

TX do uBox no RX do conversor; RX do uBox no TX do conversor.

REFERÊNCIA

GND do uBox e do conversor em comum.

BOOTLOADER

GPIO0/BOOT em nível baixo durante boot ou reset.

Depois do upload, o GPIO0 é liberado e um novo reset inicia a execução normal. Também é necessário evitar fontes conflitantes: não se deve alimentar a mesma placa simultaneamente por caminhos que não foram verificados como compatíveis.

TX e RX representam os sinais do uBox. A ligação com o conversor USB–TTL deve ser cruzada.
Montagem de bancada usada para preparar e gravar firmware próprio no ESP8266.

Um Blink simples, mas decisivo.

O LED da placa está ligado ao GPIO2 e usa lógica invertida: LOW acende e HIGH apaga. O código não usa LED_BUILTIN, pois o perfil genérico do ESP8266 pode defini-lo para outro pino.

blink-led.ino
#define LED_UBOX 2

void setup() {
  pinMode(LED_UBOX, OUTPUT);
}

void loop() {
  digitalWrite(LED_UBOX, LOW);
  delay(1000);

  digitalWrite(LED_UBOX, HIGH);
  delay(1000);
}

O programa é elementar. Sua importância prática estava no que ele validava em conjunto: entrada no bootloader, comunicação com o conversor, compilação para o alvo correto, gravação de firmware próprio, execução do ESP8266 e controle de uma saída física da placa.

Primeiro firmware próprio executado no uBox: o LED ligado ao GPIO2 alternando a cada segundo.

Blindagem não é evidência de melhoria.

TENTATIVA PREVENTIVA / NÃO ENSAIADA

Em uma única unidade utilizada como protótipo, apliquei preventivamente uma cobertura externa de fita adesiva de alumínio. A parte interna permaneceu isolada da placa e a cobertura metálica ficou eletricamente flutuante, sem ligação ao GND. A antena externa também não estava sendo utilizada naquele momento. Como não foi realizado um ensaio comparativo antes e depois da modificação, a fotografia documenta uma tentativa experimental de mitigação de interferências, e não uma solução cuja eficácia tenha sido validada.

Cobertura preventiva aplicada a uma única unidade; tentativa não comparada nem validada por ensaio.

Do pino isolado aos subsistemas.

Depois do LED, a evolução passou pela comunicação serial, pelo estudo do barramento I²C e pelo acesso ao RTC e à EEPROM. Vieram também conexão Wi-Fi e páginas web locais para observar e comandar o hardware sem depender apenas do monitor serial.

UART→I²C→RTC / EEPROM→WI-FI→WEB LOCAL

O ESP8266 também impôs limites: com poucas UARTs disponíveis, alguns experimentos exigiram decidir quais interfaces seriam físicas, quais poderiam usar SoftwareSerial e como evitar que depuração e comunicação industrial disputassem o mesmo recurso. Os sketches intermediários não são detalhados nesta primeira publicação.

Quando o LED virou barramento.

A etapa seguinte exigiu estudar o meio físico RS485 e o protocolo Modbus RTU: papéis de master e slave, IDs, baud rate, paridade, stop bits, CRC e leitura de registradores de inversores fotovoltaicos.

O hardware serviu como base experimental para leitura e escrita manual de registradores, sniffers, transceptores, SoftwareSerial, WebSockets, mDNS, scanner Modbus, gateway Modbus, Modbus TCP, túnel RTU/TCP e, mais tarde, uma biblioteca para inversores e medidores.

Houve experiências com equipamentos WEG, Huawei, GoodWe e FoxESS, além de DTSU666 e MMW03. Isso registra o contexto dos testes; não declara compatibilidade universal nem publica mapas proprietários.

Observação de sinais seriais durante os testes de bancada. O osciloscópio passou a mostrar o que o firmware sozinho não revelava.
Interface local durante testes de leitura e sincronização via Modbus. O timeout visível na tela também faz parte do processo documentado.

Uma base anterior, não uma versão anterior.

Os experimentos com o uBox antecederam os trabalhos documentados com o ED100. Eles ajudaram a formar uma base prática em ESP8266 e ESP32, RS485, Modbus, interfaces web embarcadas, gateways e ferramentas de diagnóstico.

A relação é histórica e técnica. O ED100 não é apresentado como uma continuação direta do uBox, nem o uBox como protótipo daquele equipamento. São plataformas diferentes que participaram de uma mesma sequência de aprendizado.

CONTINUAR PARA O ED100 — HARDWARE E RS485→

Uma referência que ainda pode crescer.

O uBox não é apresentado como produto pronto. É uma plataforma reaproveitada para aprendizado e prototipagem. O primeiro repositório público preserva o experimento mínimo do LED; os trabalhos Modbus serão documentados gradualmente.

O mapeamento completo e os esquemáticos não são publicados nesta etapa. Este artigo poderá receber novas seções à medida que evidências, código e contexto forem organizados.

[ INDEPENDÊNCIA ]

Este é um trabalho independente de documentação, reaproveitamento e experimentação. Não possui vínculo, aprovação ou suporte da AWC Tecnologia Ltda. ou da SolarView. As marcas e nomes de produtos citados pertencem aos seus respectivos titulares. Os resultados se referem exclusivamente às unidades analisadas. Nenhum firmware original, credencial, dado de cliente ou conteúdo da plataforma de monitoramento é distribuído.

Referências comerciais oficiais

SOLARVIEW / CENTRAL DE AJUDA
Datalogger SolarView ↗

Primeiro, um LED. Depois, um barramento inteiro para compreender.